Keep up

Exposição colectiva

16 SET a 14 OUT 2017

Painel

Artistas

Filipe Afonso

Hernâni Reis Baptista

Margarida Gouveia

Natalie Sanders

Data

16 SET a 14 OUT 2017

Galeria

Painel — Porto

Morada

Espaço Painel

Rua das Taipas, 135 (edifício Ispup, junto à Cordoaria)

Horários

Visitável 24h/dia, todos os dias da semana

Uma exposição sem imagens. (ainda uma exposição?)

Mas elas existem. Estão lá, na verdade. Tornaram-se outras. Como outras as fazemos. Como outros nos tornamos nas relações que com elas desenvolvemos. Tentamos acompanhar o seu curso. Movimento eufórico de uma existência passageira. O que fica somos nós, já transformados. Transformamo-nos imagem, sendo com ela. Somos através dela.

Farei sentido? (Fazer sentido será, talvez, já uma utopia). Um sentido são vários sentidos que nenhum são.

Acumulação e flexão. Retorno. Curvatura. Vector de múltiplas direcções. Histeria e contracção. Um movimento cardíaco sucessivo. Para cima e para baixo. Para todos os lados.

Uma exposição sem imagens porque somos nós as imagens. E ao sê-las, nunca as alcançamos, na verdade. Perdemos o toque. Perdemo-nos na lisura de um contacto em afastamento constante. A tendência faz o volume.

A propensão criou-nos imposição. (Agonia?)

 “Avançar, avançar e avançar. Sempre, sempre!” – Avancemos.

Estamos mesmo dentro da imagem. Aqui. Enfim – as liberdades só são aparentes.

O nosso som é o som do clique – click. (generalização demasiada mas eficaz). Desenvolvemo-nos a partir dos seus efeitos. Actualizamo-nos no mundo, cada vez mais e com maior determinação, através do ecrã. (Lá dentro?) Fazemo-nos imagem: uma imagem que existe antes de nós próprios e que se concretiza no clique. O corpo afasta-se de si próprio. Ele existe na sua vertigem para a um corpo liso, desapropriado de si. Uma imagem de nós com os outros dentro.

Mas da mesma forma que o nosso estar no mundo caminha para que nos façamos imagem, as imagens, elas próprias, registam semelhante movimento. Imagens de imagens. Um circuito em diferido e lonjura.

Reconfiguramos modos de ver, modos de olhar e apropriar, reconfiguramos relações, reconfiguramos a ideia de “relação”. Tentamos tocar tudo com a ponta dos dedos, mesmo que esse tudo já não lá esteja, porque ido na sua aparição material.

Desenvolvimento e metamorfose.

Keep up.

– vamos manter as zonas de obscuridade e incerteza – as exposições são convites.